Páginas

6.4.10

RIO SEM SAMBA, CARNAVAL E FUTEBOL

Costumo dizer que tenho um roteiro básico para rever o Rio em 3 dias, e dele não abro mão. Isso inclui, com alguma variação, uma circulada pelo centro da cidade, outra na zona sul e uma noite na Lapa. Barra da Tijuca? Dispenso, só vou lá para encontrar os amigos. Vez ou outra, tenho uma reunião de trabalho e faço comprinhas. Tudo isso, com muito sol, muito suor e alguma cerveja, já que ainda é março e eu não sou de ferro!
FOTO MB: Vista da Lagoa

1º dia - Por volta das nove da manhã ainda é possível caminhar agradavelmente pela Lagoa Rodrigo de Freitas, até decidir se vale esticar a caminhada pelo Jardim Botânico, pelo Parque Laje ou por Ipanema e Leblon. Para mim, a opção mais fresquinha para esse horário é ir até ao Shopping da Gávea, que de tão tranquilo faz você esquecer que está em um shopping. Dou uma olhadinha nas lojas descoladas de roupas, de presentes, de casa e decoração (sem contar Antônio Bernardo e Junia Machado) e almoço por lá mesmo. Como o shopping não tem praça de alimentação e os restaurantes estão espalhados pelo térreo, almoçarei em paz. Dou uma conferida nas peças de teatro em cartaz e quase sempre encontro um ex-colega de trabalho do Jardim Botânico. Adoro!

FOTO MB: Saladinha do Gula Gula

No fim da tarde, rumo para o centro do Rio. Diante da Candelária decido se vou ao Beco da Sardinha ou ao Odeon. Sigo para a Cinelândia, “por dentro”. No caminho, paradinha no CCBB, na Casa França Brasil e no Centro Cultural dos Correios. Mesas e cadeiras invadem a Rua dos Mercadores, até o Arco do Teles. É sexta-feira no Rio.
FOTO MB: Candelária


Na Praça XV, entre o Paço e o Palácio Tiradentes, a circulação de pessoas é intensa. Muita gente está voltando para casa, em Niterói. Sigo pela Assembléia, até a Rio Branco, a tempo de ver, no Largo da Carioca, a Igreja de Santo Antônio. Ao longo da Avenida, o Museu Nacional de Belas Artes, o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, a esquina da Chile... respiro o Rio de Janeiro. Chego ao Odeon, para encontrar os amigos da faculdade. É um hábito que se repete há 19 anos. Oba!

FOTO MONTAGEM MB: Rua dos Mercadores, Arco do Teles, Praça XV

2º dia – Calor intenso. Já perdi a hora da praia (que pra mim só pode ser às sete da matina), mas não abro mão de ver o mar. No terraço do Botafogo Praia Shopping encho os olhos com a vista da Marina e do Pão de Açucar (é de graça e tem ar condicionado). De lá, vou direto para o Forte de Copacabana, pelo Túnel Novo, para seguir pela orla do final do Leme ao início do Arpoador. Tomo um suco na Confeitaria Colombo, só para admirar a vista, pois tenho um nhoque da fortuna, em Vila Isabel, no berço do samba e de Noel, às sete da noite. Abro mão do percurso mais curto, pelo Santa Bárbara, e sigo pelo Aterro do Flamengo, só para não perder a paisagem e adiar o engarrafamento, que encontro ao chegar na Presidente Vargas. No problem. Abandono o taxi e pego o Metrô – linha 1 até a estação Afonso Pena e, de lá, o 433 até a Vila. Mais amigos, mais um gostinho do Rio.

FOTO MB: No terraço... coloquei lado a lado as duas fotos

3º dia – Um dia dedicado à nostalgia. Isso tem endereço certo: Humaitá. Na Cobal, perambulo pelos pequenos corredores de frutas, vejo flores e compro os pãezinhos do Farinha Pura e uma torta de nata da Torta e Cia. Tudo aos pés do Redentor, que está coberto para reformas. Mas isso não importa.

FOTO MB: Na  COBAL do Humaitá encontrei orquideas aéreas

Esses são os meus dias de Rio de Janeiro: Revejo a ex-casa do maridão, o jardim de  infância dos sobrinhos, o casario da São Clemente e o Largo dos Leões. Ponho tudo isso na mala e volto feliz para casa, em Curitiba.