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8.9.26

MARANHÃO - PARTE I - A CAPITAL SÃO LUÍS E O CENTRO HISTÓRICO

Essa postagem é longa, viu? Para facilitar, está dividida em 6 tópicos.

1. SOBRE SÃO LUÍS DO MARANHÃO 

A área metropolitana de São Luís (ilha e capital do Maranhão) é formada pelos municípios São Luís (onde está o centro histórico), São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. A Avenida Litorânea da cidade de São Luís tem estrutura moderna e prédios de alto padrão. A Avenida do Reggae margeia bairros próximos aos manguezais e que preservam a cultura afro. As ruas Do Passeio e São Pantaleão são os principais acessos ao bairro Madre Deus - tradicional reduto cultural e boêmio, berço de grupos folclóricos. Ou seja, a cidade oferece diversidade. 

Acredito que uma boa maneira de desfrutar ainda mais da visita à São Luís é conhecer um pouco da sua formação e da sua história. Vale, por exemplo, entender que essa porção de terra é considerada ilha por estar rodeada pelas baías de São Marcos e de São José


Calçadão da praia de Ponta d'Areia, entre a Baía de São Marcos e a Lagoa da Jansen.


O urbano litorâneo.

Vista da Avenida Litorânea a partir da Baía de São Marcos.


Vista do Centro Histórico a partir da Baía de São Marcos.

A modernidade da Ponta d'Areia | o colonial da Rua da Palma (Centro Histórico) | as dunas da Praia do Garrancho em Raposa.

A formação da cidade passou pela fundação francesa - Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière -, por uma breve invasão holandesa e pela colonização portuguesa. Isso contribuiu para forjar um ambiente rico em manifestações culturais e, principalmente, a edificaão do casario colonial predominantemente português, já reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela UNESCO (1998).

A influência francesa deu origem ao gentilício ludovicense para  quem é natural de São Luís. É uma homenagem ao rei da França de quando a capital foi fundada (1612) pelos franceses. Ludovicense é palavra derivada do latim Ludovicus, que se refere ao nome Luís, no caso, Luís XIII. Aí começa a "viagem" pelo Centro Histórico. Mas antes, vejamos:

2. COTIDIANO MOLDADO POR CLIMA E MARÉS

Ignoramos "a melhor época do ano para visitar os Lençóis Maranhenses" e chegamos em São Luís no final do mês de janeiro. Por sorte, vivenciamos muito sol e calor, algumas horas de tempo nublado, alguns chuviscos, passeios menos concorridos, o pré-carnaval e a possibilidade de muita contemplação. Foi perfeito.

O clima de São Luís é tropical quente e úmido. As marés são as de maiores variações do país. Ou seja, qualquer locomoção pelas baías, rios e mar da região tem hora marcada e local específico para acontecer. Imagine você chegar em uma praia com 3 metros de extensão de areia na baixa-mar e sair correndo de lá na preamar porque a areia acabou? A maré varia a cada 12 horas e muda o horário de um dia para o outro.

Se a maré não permite partir do Cais da Praia Grande, o barco parte do Cais da Ponta da Espera ou de algum outro pier da Baía. 

3. CENTRO HISTÓRICO COM (E SEM) O REVIVER

Rua Portugal

O ludovicense se refere ao centro histórico como Reviver - nome do projeto de revitalização do Centro que já restaurou, principalmente, a região da Praia Grande

O Centro Histórico de São Luís não é plano. São várias as ladeiras, as escadarias e as ruas de pedras no preservado traçado original do século XVII.  Significa dizer que a caminhada por lá pode ser organizada em "trajeto pela parte alta" e "trajeto pela parte baixa", ainda que uma mesma rua faça parte dos dois trajetos, claro que, com uma escadaria ou ladeira no meio. 

O Centro tem cerca de 4.000 imóveis preservados, ainda que muitos deles careçam de manutenção. São prédios de janelas amplas, decoradas por grades de ferro forjado, por azulejos aplicados nas fachadas, erguidas em taipa ou com pedra de cantaria

Tudo isso tem relação com colonização portuguesa mas também com o clima tropical úmido, pois os azulejos protegem as paredes das chuvas constantes, bem como os telhados de várias águas, com eiras e beiras, construídos com telhas de coxim (de barro moldado nas coxas).

Os telhados vistos da Rua da Feira da Praia Grande.

Na "parte alta" da Praia Grande, os prédios restaurados são, quase todos, utilizados pelo poder público. É, de fato,  uma região onde vários prédios coloniais foram tornados neoclássicos. 

Palácio dos Leões, sede do Governo do Estado, que perdeu a sua fachada colonial original para uma de estilo neoclássico, em 1911.  


A vista da Baía de São Marcos e do Rio Anil no pôr do sol é um grande atrativo para visitar a região no final do dia, seja a vista a partir da Praça Marcílio Dias ou do Palácio. Também é possível ver o marco zero da cidade (Cais da Sagração) e a Pedra da Memória que faz um registro da coroação de D.Pedro II.

Seguindo pela mesma avenida "neoclássica" (Av. D. PedroII) até à Praça Benedito Leite, vê-se o Palácio La Ravardière (Prefeitura), o Palácio da Justiça, o Fórum e a Praça dos Poetas. 


Mais adiante, a Catedral Metropolitana (em restauração) e o Museu de Arte SacraNo início do século XX, a fachada da Catedral ganhou duas torres e a catedral foi elevada à sede da arquidiocese.


Já na Praça Benedito Leite, rodeada de casarões coloniais, retrocedemos no tempo. Um desses casarões é uma sede da Universidade Estadual do Maranhão


Ainda seguindo na "parte alta", até alcançar a Rua do Egito, o Cine Teatro da Cidade, a Igreja do Rosário dos Pretos e São Benedito. Perto dali, no largo formado pelas ruas do Ribeirão e Afogados, a Fonte do Ribeirão. Diz a lenda que nela vive uma serpente gigantesca que afundará a Ilha.


Na Rua da Palma, o Convento das Mercês, que hoje é a Fundação da Memória Republicana Brasileira.


Você pode sussurrar os seu desejos ao poço do pátio interno, onde são realizados eventos culturais.



E apreciar a vista do pátio externo.


Na praça que fica ao nível do mar, o monumento à Diáspora Africana no Maranhão e, na rua ao lado, nas proximidades da Rua da Estrela, o Museu do Negro Cafua das Mercês, uma edificação onde escravos eram comercializados. Cafua é palavra banto e significa caverna ou lugar escuro e isolado. Observe que a edificação tem seteiras em vez de janelas. 

Na parte "baixa" da Praia Grande, a Esquina da Rua da Estrela com a Portugal e a escadaria da Rua da Palma (escadaria do Reggae).



A Rua do Giz, que poderia chamar Rua Sem Fim...


... é uma das ruas mais bonitas do Brasil, segundo a Casa Vogue.

Esquina do Beco Catarina Mina com a Rua Portugal


Nos arredores você acessa o Restaurante Vinagreira, a entrada lateral do Mercado das Tulhas, o Museu Casa de Nhozinho, o Museu de Artes Visuais, Casa de Cultura Huguenote, e o


Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia.

    
4. O CASARIO DA RUA DO SOL E ARREDORES

Assim como na Rua Portugal, o casario da Rua do Sol é muito representativo do conjunto arquitetônico colonial. A rua é famosa por seus sobrados revestidos de azulejos portugueses, mas não espere perfeição. A conservação é difícil e a deteriorização está evidente. No entanto, um olhar atento, é capaz de identificar aquilo que é belo.


Começando a "descida" pela Rua do Sol, encontramos o Museu Artístico e Histórico do Maranhão, que está instalado no sobrado construído, em 1836, pelos Gomes de Souza. A fachada e o pátio interno são originais.


Seguindo em direção da Praça João Lisboa, o Teatro Arthur Azevedo e a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Maranhão.

Igreja do Carmo e o Largo se confundem com a Praça João Lisboa


Conhecer o centro histórico de São Luís é uma vivência. É percorrer sem pressa, por exemplo, as ruas do Giz, da Estrela, do Egito, o Beco Catarina Mina, é desafiar as escadarias. É, também, conversar com as pessoas cordiais que encontar pelo caminho.


A sinalização das ruas é de azulejo | Rua do Giz e o prédio do IPHAN





Largo do Carmo

5. A TRADIÇÃO NO PRÉ-CARNAVAL DO REVIVER


Fofão Maranhense | autor: Dalton Costa | Exposição das máscaras na Galeria Trapiche


Um dos 5 palcos instalados no Centro Historico. O bloco Fuzileilos da Fuzarca é o mais antigo bloco carnavalesco de São Luís.


Diante do Teatro João do Vale, o grupo Maracatu Oriente se prepara para a apresentação. 




A dança acontece em uma grande roda formada por quem dança com saias rodadas (coreiras) e por quem toca os instumentos (coreiros).


A dança é marcada por rodopios ao som dos tambores e pela umbigada (a punga), quando um brincante "chama" outro para rodopiar no centro da roda.


O Centro Cultural Tambor de Crioula de Mestre Amaral, reverencia São Benedito no alto da Rua do Giz. 


O tambor pequeno é conhecido como crivador ou pererengue, o médio é chamado de meião ou chamador e o grande é o roncador. São feitos de troncos de árvores e pele de gado bovino. Os troncos são escavados manualmente, mas já foram ocados com fogo. Aliás, o fogo é utilizado no aquecimento dos instrumentos antes das apresentações.


O cortejo dos Blocos Afros de São Luís faz parte do pré-carnaval. O Bloco Filhos de Xangô do Quilombo São Cristóvão e o Bloco Afro Didara, que trouxe para a Rua os orixás, se apresentaram no Palco Waldecy Vale, na Praça Nauro Machado.


6. AS CORES E OS SABORES DE SÃO LUÍS


O controverso Guaraná Jesus e, no Mercado das Tulhas, os licores de tamarindo e de cupuaçu, o siri na cachaça e a Tiquira - Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão (2023). Tiquira é a aguardente artesanal feita a partir da mandioca brava acescida de folhas da tangerineira, o que dá a coloração roxa característica da bebida. 

Acima, a barraca do Domingos Drinks, que reina absoluta no cais de Mandacaru, às margens do Rio Preguiças, próximo ao Farol. Abaixo, destaque para o café de açaí (ou, como o açaí é conhecido por lá, café de jussara), no Mercado das Tulhas.


O bolo recheado com creme de bacuri, do Restaurante SENAC, e o s
orvete artesanal de bacuri, encontrado em vários comércios. A árvore do bacuri atinge mais de 30m de altura, o que dificulta a colheita do fruto. Como a natureza é sábia, o bacuri simplesmente cai no chão quando está maduro e é recolhido para processamento e consumo.
 

O arroz de cuxá, do Restaurante Vinagreira.


No doce de espécie a base é de coco e esse é um doce típico de Alcântara (MA), feito por Seu Antônio, mas que é encontrado nos cafés de São Luís.


A renda de bilro e a sua almofada.


O artesanato feito com a palha do buriti. Aliás, da palmeira do buriti tudo é aproveitado! 


Mais sobre São Luís você encontra nas próximas postagens. 


 




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